sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Leonor " DITOSA E BEM SEGURA"

Poema da Auto-estrada

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.

Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,


bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte

como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,

e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor

se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta

Vai na brasa, de lambreta.

António Gedeão




1 comentário:

nana disse...

Á falta do nosso "poeta mor" insubtituível Vetonto, aqui fica um poema do António Gedeão, dedicado à Leonor "Formosa e Segura", que não nos deixou sem "Post"!
A música do BLOG é que nada tem a haver com o seu "Post futurista"!